Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

GRAMATICALMENTE DESAFIADOR...!!

 

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.

Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.

Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.

Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.

Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.

Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.

Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.

Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.

Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisto a porta abriu-se repentinamente.

Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.

Que loucura, meu Deus!

Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.

Só que, as condições eram estas:

Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

 

 


"Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa"

 

Gramaticalmente falando, isto foi cá uma conjunção de verbos de concordância verbal e nomimal que nem o acordo ortográfico teve direito a uma análise sintática  e analítica...Grande festarola....ehehehhheheh....

 

E que tal comentares usando a gramática no seu melhor....??

É um desafio... Aceitas??

 

Beijinhos

Iz@

 

 

sinto-me: com reticências...
germinado por libel às 11:59
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13 comentários:
De cumplicedotempo a 24 de Setembro de 2009 às 21:56
ai libel ai libel
vê-me la tu do que te foste lembrar , que quase ficava com um torci colo de tanto me virar ora para ler o post ora para me relembrar de alguns significados gramaticais cuscando aqui uns compendios ja cheios de pó que estavam arrumados na prateleira ( a séculos por sinal lol)

concluindo : regendo me pelas regras gerais da concordância em que as palavras encontram a sua harmonia gramatical ,e aceitando a interrogativa directa do teu desafio
deixo assim o meu complemento circunstancial de tempo "estive aqui as 21h30"
esta a melhor forma de voz activa que encontrei na gramática para pontuar a minha exclamação pelo hiato que me criou no cérebro este teu texto repleto de preposições , conjunções verbos e advérbios e sabe la Deus mais o que .... ( que ja não aguento do pescoço para olhar para os livros lol)

beijo cúmplice ponto final .... (ponto final por agora , reticencias porque gramaticalmente falando , não te livras do cúmplice de forma superlativa absoluta ;)
De libel a 25 de Setembro de 2009 às 16:39
Cúmplice eu dou cabo de ti, quer dizer virtualmente falando, é que da última vez quase que te dava um piripack de riso e agora provoco-te um torcicolo...ahahhahah....o que vale é que tenho acesso a umas ervinhas mágicas que fazem milagres. E como gosto muito de te ver por aqui, faço questão que tomes este cházinho que preparei e vais ver que a dor passa num instante.

Agora gramaticalmente falando e pegando nas reticências atrevo-me numa absoluta sintaxe de aspectos linguísticos a usar palavras invariáveis para chegar a uma preposição de factos: Como artigo deste cantinho, agradeço o esforço que uniste nos termos de uma oração e fico deveras oxítona às tuas cumplicidades, pois és um substantivo masculino que com a tua voz passiva me deixa fonética e sem sílabas para continuar.....ahhahahhahah......

P.s. Não sei se disse alguma coisa de jeito, ou alguma barbaridade...mas ....a intenção foi substancialmente passiva e absoluta.

Beijokas recheadas de sinónimos....
De entremares a 25 de Setembro de 2009 às 11:01
O amor e a amora encontraram-se no jardim. Ele era todo afecto, inclinação - ela, toda sumo, cor, tentação.
Encontraram-se por acaso. Um acaso que se repetia, como uma anáfora. Todos os dias. E ele dizia-lhe: - Amar-te-ei para sempre.
Ela não queria. Queria-o a ele, não queria aquele tempo futuro, queria o amor, não o verbo.
E respondia-lhe: Só hoje sou sumo, amanhã serei semente. Vem.
O amor foi.
A amora desfez-se em prazer, o amor mudou de cor.
O jardim, envergonhado, fechou os olhos e as portas.
E a partir desse dia, o amor passou a ser também… tentação.

( Se estivesses aqui ao meu lado, oferecia-te um café... )

Beijos.
Rolando
De libel a 25 de Setembro de 2009 às 20:54
Duma tentação sem futuro premeditado, nasceu o Amorim e a Amorizade. Ele de olhos castanhos, ternurentos como o amor, ela de faces rosadas como uma Amora suculenta . Os anos foram passando e nas suas expressões reinava um conjunto de manifestações sinónimas. O Amorim tornou-se num belo sbstantivo, encantador de traços delicados e uma voz passiva, suave e relaxante, o que levantava algumas interrogações. Por outro lado, a Amorizade com os seus longos cabelos loiros, encantava com os seus belos travessões vermelho vivo. Doce e delicada era um artigo bem defenido.
Os verbos, os adjectivos e até os substantivos eram tantos à sua volta numa acentuação tónica, que a deixavam num dilema de metáforas. Bem no seu infinito sentia a preocupação do irmão.
O Amorim destroçado e cada vez mais embaraçado chegou a uma conjunção coordenativa e quase conclusiva. Estaria a tornar-se num artigo indefenido?


P.S. ehehhehe....não sei como vai acabar esta história, mas a culpa é dos príncipes...que andam todos marados....lol...diz à Branca de neve que estou a ver isto muito verde para estes lados, talvez seja das maçãs....quem sabe!!..

Beijokas e se estivesses aqui ao meu lado..estes bolinhos de canela...acompanhavam bem o café....
De Escritos e Rabiscos a 25 de Setembro de 2009 às 11:35
Magnifique!
Fiquei absorta com tal narração!
Ainda em modo de enumeração, digo simplesmente que está admirável, tal descrição, tão explicita e no entanto, ao mesmo tempo, tão mascarada por doutrinas de duplo sentido.
Obrigou-me a ver (por inúmeras vezes) a singela acepção de alguns dos vocábulos. Muitos deles há já muito tempo enlevados na minha arca de dissertações.
Aparto-me com um nobre ósculo.

(P.S.: Devo dizer que foi o comentário que mais tempo demorei a fazer.... )
Ai, senhores as figuras que se fazem....
De libel a 25 de Setembro de 2009 às 21:30
ahhahaahahaha...o teu comentário deixou-me completamente sem flexões verbais, apenas consegui emitir alguns sons altamente tónicos e agudos. Fiquei pasmada com o teu trema (atenção é mesmo trema e não tema) ....a gramática no seu melhor.....ahahhahahah.....pois conseguiste subordinar a tua exposição e dar um sentido lógico e conclusivo. Já vi que em termos de vocábulos, os ditongos e tritongos que se encolham gramaticalmente, pois com um artigo tão singular, nem os auxiliares se atrevem a exclamar.....lol...isto é um gerúndio de conversa, mas que o ênfase é absoluto não podemos negar e ponto final parágrafo.

P.s. não consigo parar de rir acreditas ??..estas palavras lexicais acabaram com o meu stock de gargalhadas e fiquei afónica com tantos agudos...ahahhahahahhahahahahhhaha...
De Escritos e Rabiscos a 28 de Setembro de 2009 às 10:56
Apraz-me com grande deleite que tenhas gostado da minha despretensiosa narração. Recitando desta forma, devo indicar que este tipo de garrulice é já minha conhecida, por motivo de variegados turnos o compor entre amigos.
Singelamente, restrinjo-me a permutar os vocábulos usualmente auferidos, por meros complementos com a mesma denotação.
De green.eyes a 25 de Setembro de 2009 às 12:00
Eu sinceramente fiquei sem palavras ...

Fantástico ...

Bom fim de semana

Beijinho
De libel a 25 de Setembro de 2009 às 21:42
Sem palavras fiquei eu, depois de responder a estes substantivos e artigos tão bem defenidos, pessoal mesmo fixe que me proporcionou umas belas gargalhadas. C`um caneco perfeitos agentes passivos que deram o seu melhor com a sua voz activa. Foi uma conjucção coordenativa e muito superlativa. Não tenho adjectivos para os qualificar, pois foram imperativos.

Resta-me oferecera todos um hiato com gelo e uns hífens tostados....ehhehehehee....

Beijokas miúda
De entremares a 29 de Setembro de 2009 às 00:40
Para que o gerûndio possa vergar-se à circumflexão, comunico-te que te fiz a vontade, revelando o resto da história da esplanada de Paris.

Mas aviso-te desde já... que já me deves a tua companhia em 2 cafés, mais juros de mora.

Beijos.
Rolando
De libel a 29 de Setembro de 2009 às 12:28
ahahhaha...eu acho que o gerûndio ainda agora vai a meio...os vocábulos são de ordem transitiva e exclamativa, qualquer movimento silábico pode originar a queda no Rio...Não acho que seja altura do ponto final. As pistas foram subtilmente definidas e cumpridas, mas a grande revelação é uma incógnita.

Sim, é verdade, saltei dois, mas neste vou compensar...está prometido!!...Beijokas
De daisy_daisy a 30 de Setembro de 2009 às 12:28
Realmente está um máximo, é de real valor, sem dúvidas...

Beijoca
De libel a 1 de Outubro de 2009 às 11:05
Sim é verdade Daisy o texto está o máximo, foi uma vitória muito bem merecida. Não sei se tiveste oportunidade de ler os comentários, pois estão igualmente de parabéns , foi realmente muito divertido ler e responder a todos eles, de forma gramatical.
Ainda bem que gostaste, mas.....anda lá esforça-te um bocadinho...será que não encontras um substantivo eléctricamente absoluto e comparativo para um complemento directo , podes inclusive pedir ajuda aos verbos auxiliares, e aos advérbios, tenho a certeza que vais encontrar um conjunto de preposições activas e dar um ponto final a esta história......ehehhehhe....o que achas??

Um grande beijinho estrelinha

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